Existe uma relação entre crueldade
com seres humanos e com animais?
Muitos assassinos em série começaram matando animais.
Pesquisas norte-americanas mostram que a crueldade animal
pode ser sintoma de uma mente doentia.
Em 1998, Russell Weston entrou no Capitólio, puxou uma arma e começou a atirar ao redor. Quando terminou, dois policias estavam mortos e um visitante ferido. Poucas horas antes, Weston já havia atirado numa dúzia de gatos de rua alimentados por seu pai.
Ally Walker, estrela da televisão norte-americana, tem certeza de que os dois acontecimentos estão relacionados e que Russel não é um caso isolado. Em um documentário na TV, ela procura esclarecer que a violência contra animais muitas vezes antecede a violência contra pessoas. "Segundo dados do FBI, 80% dos assassinos começaram torturando animais", afirma Ally.
Relacionamos abaixo o nome dos criminosos,
os crimes que cometeram e a crueldade anterior aos animais
Albert de Salvo (O Estrangulador de Boston) — Assassinou 13 mulheres — Na juventude prendia cães e gatos em jaulas para depois atirar flechas neles
David R. Davis — Assassinou a esposa para receber o seguro — Matou dois pôneis, jogava garrafas em gatinhos, caçava com métodos ilegais
Edward Kemperer — Matou os avós, a mãe e sete mulheres — Cortou dois gatos em pedacinhos
Henry L. Lucas — Matou a mãe, a companheira e um grande número de pessoas — Matava animais e fazia sexo com os cadáveres
Jack Bassenti — Estuprou e matou três mulheres — Quando sua cadela deu cria enterrou os filhotes vivos
Jeffrey Dahmer — Matou dezessete homens — Matava os animais deliberadamente com seu carro
Johnny Rieken — Assassino de Christina Nytsch e Ulrike Everts — Matava cães, gatos e outros animais quando tinha 11 ou 12 anos
Luke Woodham — Aos 16 anos esfaqueou a mãe e matou duas adolescentes — Incendiou seu próprio cachorro despejando um líquido inflamável na garganta e pondo fogo por fora e por dentro ao mesmo tempo
Michael Cartier — Matou Kristen Lardner com três tiros na cabeça — Aos quatro anos de idade puxou as pernas de um coelho até saírem da articulação e jogou um gatinho através de uma janela fechada
Peter Kurten (O Monstro de Düsseldorf) — Matou ou tentou matar mais de 50 homens, mulheres e crianças — Torturava cães e fazia sexo com eles, enquanto os matava
Randy Roth — Matou duas esposas e tentou matar a terceira — Passou um esmeril elétrico em um sapo e amarrou um gato ao motor de um carro
Richard A. Davis — Assassinou uma criança de doze anos — Incendiava gatos
Richard Speck — Matou oito mulheres — Jogava pássaros dentro do elevador
Richard W. Leonard — Matava com arco e flecha ou degolando — Quando criança a avó o forçava a matar e mutilar gatos com sua cria
Rolf Diesterweg — O assassino de Kim Kerkowe e Sylke Meyer — Na juventude matava lebres, gatos e outros animais
Theodore R. Bundy — Matou 33 mulheres — Presenciava o avô sendo cruel com os animais
Entretanto, mais assustadores ainda são os recentes tiroteios em diversos colégios dos Estados Unidos. Todos eles têm algo em comum: os adolescentes criminosos já se haviam destacado anteriormente por atos de violência contra animais. Encarregados da Proteção aos Animais estão cientes desta tendência. Em São Francisco os funcionários já são orientados para reconhecerem o abuso infantil baseado na sua relação com o abuso animal. Segundo dados da Comissão de Combate ao Abuso Infantil, os moradores da cidade muitas vezes denunciam com maior rapidez o abuso contra animais porque são visíveis.
Segundo Ally Walker, "o abuso contra animais é um crime a ser levado a sério com conseqüências graves para todos". Em seu papel de apresentadora de TV a atriz espera ajudar a chamar a atenção da população para sinais precoces de comportamento assassino e, desta forma, salvar vidas — de animais e de pessoas.
Fontes: PETA’s Animal Times, inverno 1998/99 e The Cruelty Connection por Beverley Cuddy
CRIANÇA NÃO É CACHORRO
autor : Dr. José Ricardo Henz,
veterinário, Fortaleza, Ceará
É comum as pessoas que possuem animais de estimação, e os tratam com carinho, serem constrangidas com críticas muitas vezes agressivas.
Os donos de bicho, por exemplo, recebem a sugestão de trocar o animal por uma criança pobre.
Quem diz isso pode estar pensando que defende os interesses das crianças carentes, mas na verdade está apenas comparando crianças a cães e gatos.
Muitos brasileiros, numa visão simplista, tendem a procurar um único culpado para tudo o que julgam errado.
Se a seleção vai mal, a culpa é do técnico. Se a economia não vai bem, cai o ministro da Fazenda. Compreender as verdadeiras razões da pobreza e do abandono das nossas crianças é complicado.
Fica mais fácil culpar os animais, que não podem defender-se.
Como se ao deixar um cão de estimação morrer de uma virose as crianças passassem a comer melhor.
O problema do menor abandonado tem vários culpados.
As causas primárias são estruturais e não podem ser mudadas por meio de boas intenções ou decretos.
Investimentos em saúde e educação são relegados para segundo plano.
A má distribuição de renda gera a opulência num extremo e a miséria noutro.
O planejamento familiar enfrenta resistência religiosa e de setores ditos nacionalistas, além da indiferença do governo.
O Estado negligencia suas obrigações com o bem-estar social, desviando recursos da educação, saúde, moradia e saneamento básico para investir em mineração, siderurgia, telecomunicações, energia e no sistema financeiro.
Os menores de rua muitas vezes são fugitivos da violência doméstica gerada por pais ou padrastos alcoólatras.
Aí está uma longa relação de culpados de duas pernas pela situação das crianças pobres.
Mas há pessoas que entendem que uma criança pobre e um cão têm a mesma necessidade afetiva, revelando sua ignorância, alienação ou má-fé e desprezo pela criança carente a quem dizem defender.
Muitos podem ter condições financeiras para adotar uma criança, mas são incapazes de prover suas necessidades afetivas e segurança
emocional.
A maioria dos que adotam um animal visa preencher um vazio em sua vida.
Pessoas idosas, muitas vezes marginalizadas pelas próprias famílias, têm no animalzinho de estimação talvez sua única razão para continuar
vivendo.
Há inúmeros registros de gente que superou a depressão graças ao convívio com animais de estimação.
O contato com eles tem sido preconizado como um excelente auxiliar no tratamento de autistas.
Finalmente, não são apenas as dondocas que freqüentam as clínicas veterinárias.
Pessoas humildes passam apertado para levar ao seu bichinho o atendimento médico.
O respeito, o afeto e o cuidado com os animais não eliminam a necessidade de atenção para com o ser humano.
Pelo contrário, aprimoram e complementam a capacidade de nos relacionar com os semelhantes.
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